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O tempo muda tudo. Mas não apaga o que importa

Participei no fim de semana de um reencontro muito especial da minha turma do Mackenzie. Um encontro de pessoas que, em muitos casos, não se viam desde a adolescência. E enquanto eu olhava para cada rosto ali, tive a sensação de que a vida tinha dado uma volta gigantesca diante dos meus olhos.

Não apenas pelas mudanças físicas ou pelos cabelos brancos que apareceram. Mas porque cada pessoa carregava décadas de histórias, conquistas, perdas e transformações que ninguém poderia imaginar naquela época.

Inclusive eu.

Quem imaginaria que aquele garoto envolvido com esportes, correndo pelos corredores do Mackenzie, jogando bola, bagunçando pela escola e vivendo intensamente a adolescência, um dia perderia todos os movimentos do corpo?

A vida realmente não avisa os caminhos que vai tomar.

Eu estudei no Mackenzie por apenas três anos. Fiz a 7ª série, a 8ª e o 1º colegial. Depois fui para o Colégio Objetivo, onde terminei o ensino médio. Mesmo assim, aqueles anos foram suficientes para criar vínculos que permaneceram vivos até hoje.

Mantive amizade com mais de dez pessoas daquela época, embora nenhuma delas tenha conseguido ir ao encontro. Muitos moram fora do Brasil e outros não puderam participar naquele dia. Ao chegar lá, percebi algo curioso: praticamente todas as quarenta pessoas presentes eu não via desde os meus 15 anos.

E bastaram poucos minutos para que eu me esquecesse desse tempo e me sentisse novamente um adolescente entre amigos. Os apelidos voltaram em minha mente, as histórias começaram a surgir como se estivessem guardadas em uma gaveta aberta depois de décadas e era como reencontrar versões antigas de nós mesmos.

A Kiki, Érica Del Bortolo, merece todo o reconhecimento. Foi ela quem teve a iniciativa de procurar as pessoas, criar o grupo no WhatsApp e organizar o encontro. Talvez ela nem imagine o impacto que causou ao reunir tantas histórias interrompidas pelo tempo.

Reencontrei também o Danilo Braga, que morava perto de casa e fazia comigo o caminho até o Mackenzie. Na adolescência, aquilo parecia apenas rotina. Hoje percebo que eram momentos simples que ajudaram a construir memórias afetivas profundas.

O Célio também estava lá. Eu era muito amigo da irmã dele, a Kelly, com quem mantenho contato até hoje. Ela inclusive esteve em um aniversário meu há alguns anos. Algumas conexões simplesmente resistem ao tempo de maneira impressionante.

Eu encontrei Leonardo e os irmãos Gui e Mau, que também fizeram GV, me diverti com a Flávia, matei a saudade das duas Andreas, revi a Milena, única presente que eu tinha encontrado há não muito tempo, e conversei com Vina, Tati, Fe, Pícaro e muitas outras pessoas. Mas mesmo ficando das 14h até quase 22h, faltou falar com muita gente.

Em determinado momento, tive a oportunidade de falar com a turma. Fiz uma pequena palestra e foi muito emocionante dividir a minha história com amigos queridos.

Enquanto eu falava, percebia que cada um ali tinha vivido uma transformação radical desde a última vez que nos vimos. Algumas pessoas realizaram sonhos. Outras mudaram completamente de vida. Algumas enfrentaram momentos difíceis. Outras reconstruíram caminhos inteiros.

E acho que esse é o grande significado dos reencontros. Eles nos lembram que o tempo muda tudo. O corpo muda. A rotina muda. Os planos mudam. A vida muda.

Mas os laços criados em momentos especiais da nossa existência continuam existindo em algum lugar dentro da gente.

Às vezes, tudo o que eles precisam é de uma mensagem no WhatsApp dizendo: “Vamos nos encontrar?”.

Antes de ir embora, alguém me disse: “Parece que a gente voltou no tempo”. E acho que era exatamente isso que todo mundo estava sentindo naquela tarde que adentrou a noite.

Respostas de 6

  1. Foi sensacional rever os amigos. Cada um com sua histórias. Mas no fundo dos olhos, eu via a mesma pessoas. Agora mais maduras, mas continuamos os mesmos.
    Seu texto está lindo e reflete muito o que sentimos naquele momento tão especial que vivemos.

  2. Ahhhhhh, que demais!!!!! Queria muito estar presente!!!! Uma frase que nunca sai de moda: “Recordar é viver (e reviver lembranças, é incrível)”! 🙂 Na próxima estarei lá!!! 🙂

  3. Eu tenho ainda muitas amigas do tempo de colégio e até do primário..tentei várias vezes reunir todo mundo…não consegui…. chorei muito quando soube do falecimento de umas ou outras outros e pensei…bem que queria termarcado um encontro, mas nào deu tempo.É realmente marcante as amizades da adolescência porque é um momento que vivemos intensamente. você não sente assim?
    Que delícia deve ter sido esse seu reencontro. O que levamos de melhor nessa vida são as amizades sinceras e os amores…às vezes perdido.É muito bom matar a saudade.Tenho certeza que esses momentos te fizeram muito feliz

  4. Ricky, que lindo! Fiquei tão emocionada quando li. Senti no coração que deveria fazer acontecer esse reencontro, mas não imaginei que seria tão especial, para todos nós. Todos que compareceram estavam ali por uma razão e VOCÊ fez toda diferença, aprendemos muito com vc! Obg por tanto, pelas lembranças, pela serenidade, pelo olhar sincero que transmite TUDO. Vc tem toda a minha admiração!
    E obg pelas balinhas no estojo rsrs sempre deixaram o meu dia mais especial ❤️

  5. Que post de arrepiar, Ricky! Eu não estive no encontro e vi agora as fotos, sua participação emocionante e agora o texto. Estou ali no seu primeiro ano colegial de camisa do São Paulo, voltar no tempo é dádiva da mente ativa. Obrigada por dividir comigo um pouco da sua mente brilhante. Quem sabe estarei na próxima.

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