Todo mundo, em algum momento da vida, para e pensa: “E se…?”
E se eu não tivesse feito tal faculdade? E se tivesse conhecido aquela pessoa? E se tivesse aceitado aquela oferta de emprego? E se tivesse mudado de cidade?
No meu caso, a pergunta é ainda mais profunda: e se eu não tivesse ELA? Como teria sido minha vida? Será que teria continuado morando em Recife? Teria casado e tido muitos filhos? Teria tomado decisões diferentes?

A verdade é que nunca saberei exatamente como teria sido. A ELA mudou minha trajetória e da minha família, principalmente dos meus pais, de forma que eu não podíamos prever. Trouxe desafios que exigiram força, paciência e adaptação. Mas também abriu caminhos inesperados. Conheci pessoas incríveis que de outra forma talvez nunca tivesse encontrado. Escrevi um livro contando minha história. Criei o maior portal de mobilidade urbana do Brasil e passei a ter voz em discussões sobre cidades mais sustentáveis. Fiz e ainda faço palestras para compartilhar minha experiência de resiliência, reinvenção e de viver com propósito, apesar das adversidades.

Como disse Viktor Frankl, sobrevivente do Holocausto e psiquiatra:
“Quando não podemos mais mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos.”
Uma coisa que sempre me intrigou é como uma única decisão ou acontecimento pode mudar completamente o rumo de nossas vidas. Por exemplo, se eu não tivesse estudado na minha classe da GV e sim em outra sala, não seria amigo do Luiz e do Pipo, e minha trajetória neste mundo seria muito diferente. Luiz foi o responsável por despertar em mim o interesse por sustentabilidade e fundou comigo a Associação Abaporu. E foi por causa do Pipo que eu e outros amigos nos mudamos pra Barcelona. Então, se eu não tivesse conhecido os dois, não existiria a Abaporu, eu não teria trabalhado na ICTS, não teria morado em Barcelona e nem em Recife, não trabalharia na EY, não existiria o Mobilize etc. Os acontecimentos que se sucederam como consequência de eu ter estudado naquela sala naquele momento, determinaram meu futuro, inclusive depois do diagnóstico de ELA.

Nunca saberei como seria minha vida sem a ELA. Mas posso dizer que ela me ensinou a viver com mais intensidade, foco e gratidão. Trabalho muito, busco fazer sempre o meu melhor e aprendo todos os dias. A ELA faz parte da minha vida, mas ela não define quem eu sou nem a minha vontade de viver plenamente.
O que sei é que muitas pessoas importantes na minha vida atual eu não teria conhecido ou nem sequer existiriam. Esse é o caso das minhas sobrinhas Nicole e Nina. Afinal, se eu não tivesse sido diagnosticado com ELA, as duas não teriam nascido, pois a Lili só pôde conhecer meu cunhado Alê porque voltou para o Brasil quando eu fiquei doente. Elas são o fruto dessa união.
Eu também não teria conhecido a Sol, minha noiva, que tem sido uma companheira formidável nos últimos dois anos, nem as profissionais de saúde que cuidam de mim, a incrível equipe do Mobilize, e grandes amigas como a Bel e a Paulinha.


No fim das contas, a pergunta “E se eu não tivesse ELA?” continua sem resposta — e talvez seja melhor assim. Porque viver preso às possibilidades que não aconteceram é uma forma sutil de deixar de viver o que está acontecendo agora.
A ELA não foi uma escolha. Não foi um plano. Não foi algo que eu desejei. Mas foi a realidade que se impôs. E, dentro dela, eu fiz escolhas. Escolhi continuar trabalhando. Escolhi transformar dor em propósito. Escolhi fortalecer laços. Escolhi amar e me deixar amar. Escolhi contribuir.

A vida não é feita apenas do que nos acontece, mas principalmente do que fazemos com o que nos acontece. Se eu não tivesse ELA, talvez tivesse tido uma vida mais simples, mais previsível, talvez até mais confortável. Mas não sei se teria tido a mesma profundidade, os mesmos encontros, o mesmo senso de missão.

E você, já parou para pensar: como seria sua vida se…?




Respostas de 21
mariajcunhareis64@gmail.com
Bom dia.. Eu sigo vc no Facebook te acho um cara 😎 incrível. meu esposo teve ELA. No primeiro momento do diagnóstico dele , Eu achei que íamos pirar, diante do diagnóstico e a certeza do médico que ele só tinha 3 anos de sobrevida. Regacei as mangas falei pra ele, a resposta do médico a gente já tem. Agora vamos atrás da de Deus. Ele viveu 8 anos com a ELA. Ele era o cara 😎 com ele Eu aprendi o que era fé que Eu nem sabia que existia. Aprendi o que era amor coragem e determinação. Mas Deus tinha seus planos e com Deus não existe barganha. Ele precisou de um fotógrafo lá em cima, e chamou meu guerreiro. Ele não pensou duas vezes, fotografar o céu não é pouca coisa não. Kkkkk mas sigo a vida buscando o melhor Deus pra mim.
Sempre leio suas postagem no Facebook.. vc é um exemplo de fé força coragem para muitos. Deus abençoe desculpa o texto grande. Eu não sei escrever muito bem mas amo escrever. Continue nessa força Deus abençoe você e sua família. vc é inspiração de força fé para muitos. Abraço moro em Recife
Querida Ana, muito obrigado por compartilhar uma história tão bonita e cheia de amor. Seu esposo parece ter sido um grande guerreiro. Fiquei muito tocado com seu relato. Um grande abraço para você em Recife, adorei morar aí.
Uau Rick… você é mesmo inspirador. Vou carregar comigo esse aprendizado de força, resiliência e mudança de rota apesar das circunstâncias que a vida nos impõem.
Tenho tatuado em meu braço parte de um versículo bíblico que diz: “Seja forte e corajosa” e isso me ajuda muito nos momentos de fraqueza, solidão e medo. Você tem gravado isso na mente e no coração. Gosto muito dos seus posts.
Tenho uma irmã com ELA também e seu blog tem ajudado muito a entender nosso papel e esclarecido os sentimentos dela e como podemos ajudá-la. Beijo no coração.
Luciana, muito obrigado pelo carinho. Fico feliz de saber que o blog pode ajudar vocês nesse caminho com sua irmã. Desejo muita força e amor para toda a família. Um beijo no coração.
Graaaaande Ricão! é muito louco esta questão do “e se”…como diz meu pai, o “se” não joga então você tem que ir a campo sem ele e enfrentar o que a vida te dá. Já pensei muito sobre como situações pontuais definem nossas vidas, nossas amizades, nossos relacionamentos e acredito muito no destino. Fico muito feliz de cruzar o seu caminho em 98 e ter esta relacão de amizade profunda e muito inspiradora ao teu lado e o quanto aprendi, dei risada, me diverti e vivi contigo, antes e depois da ELA! Te quiero mucho e siga sendo este cara foda, inspirando este mundão louco! Beijão!
Grande Re, Que alegria ver você por aqui. Também sou muito grato por nossa amizade desde 98 e por tudo que vivemos juntos. Seguimos em campo, sem o ‘se’. Te quiero mucho, irmão!
Maravilhoso!!!
Você é uma inspiração para todos nós !!
Chris Cappelletti
Chris, muito obrigado pelo carinho! Fico muito feliz em saber que o texto tocou você. Um grande abraço.
Rick,mais uma vez adorei ler um pouco sua trajetória e sentimentos.vc sem dúvida é uma inspiração para todos nós..sinônimo de força,resiliência, trabalho,foco,competência e vida!!Que vc realize todos os seus sonhos.
Claudia, muito obrigado pelas palavras tão generosas. Fico feliz que minhas reflexões cheguem até você. Seguimos em frente, sempre!
Lindo texto, Ricky! Pode ser intrigante e até divertido refletir sobre o “se”, não é mesmo? Contudo, como você, busco entender e valorizar as escolhas que fiz neste caminho.É Interessante pensar também até que ponto somos nós que fazemos estas escolhas. Talvez a escolha seja só fazer parte da legião do bem, que ama e cuida do ser humano e do planeta, o resto é consequência. Obrigada pelo texto, por inspirar aos que estão a sua volta e por fazer tanto para a nossa sociedade.
Um beijo!
Daniela
Daniela, adorei sua reflexão. Também acredito muito nisso: fazer o bem e cuidar das pessoas e do planeta. Obrigado pelo carinho e por compartilhar seu pensamento.
Lindo. Hj me ajudou muito. Estava precisando dessa história de vida!
Maria da Glória, fico muito feliz em saber que o texto chegou até você no momento certo. Obrigado por compartilhar isso comigo.
Parabéns !!! Feliz Aniversario!!! Acompanho sua trajetória de sucesso!!! Adorei o relato !!
Suzana, muito obrigado pelo carinho e por acompanhar minha trajetória. Fico feliz que tenha gostado do texto!
Desde o diagnóstico do Marcelo, procurei ler muito sobre a doença, tratamentos, “curas” e procurei por pessoas com ELA q nós pudéssemos ter como inspiração de superação… vc esta sabendo isso só agora, mas fazem muitos anos q acompanhamos vc aqui de casa, sua vida, sua luta, seus desafios e principalmente suas conquistas, q é o q inspira tanta gente! Agradeço muito por vc ter “notado” o Marcelo e entrevistado ele tb, pois vc é uma pessoa de luz e de muita força e, mesmo sem saber, fez tanto por nós… Ricky, desejo a você muitos anos de vida… muitas conquistas, muitas realizações… que seu caminho seja sempre iluminado e abençoado por Deus! Muito obrigada por existir 🙏
Patrycia, seu comentário me emocionou muito. Fico muito feliz em saber que, de alguma forma, pude contribuir na caminhada de vocês e do Marcelo. Um grande abraço e muita força sempre.
Rick vc é incrível, uma inspiração para todos nós. Que Deus continue te abençoando e que você continue com essa determinação.
Oi Rick, cheguei aqui através de um podcast que o Pedro Pimenta comenta de vc. Naveguei pelo seu site e me surpreendi com sua força, parabéns!!! Comprei o seu livro e pretendo ler com meus filhos de 10 e 8 anos!